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  • Mario Teixeira

Patrimônio Nacional e Cultural da Bahia, Baianas de Acarajé sofrem

Atualizado: Jul 30

Presidente da Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Rita Santos, teme que a falta de apoio e a necessidade de voltar ao trabalho exponha baianas à Covid-19

O sorriso aberto, as roupas exuberantes e o os tabuleiros variados das baianas de acarajé podem estar em risco. Embora sejam consideradas Patrimônio Nacional, Cultural e Imaterial da Bahia, elas passam por uma crise que começou ainda no Carnaval soteropolitano, que foi considerado fraco, com poucos turistas e vendas fracas. A pandemia da Covid-19 foi mais um elemento a contribuir para a crise, já tendo vitimado algumas das belas vendedoras dos tabuleiros.


Segundo a presidente da Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam), Rita Santos, os desafios são muitos e incluem a falta de cadastramento de todas as baianas pela Prefeitura de Salvador; o fato de grande parte das mulheres serem de grupo de risco para a Covid-19; e a desconfiança dos clientes quando da retomada das vendas. Com as praias fechadas, a Abam tem distribuído cestas básicas para as baianas, mas o número ainda é insuficiente.


Alimento & Ação - Quantas baianas de acarajé existem hoje em Salvador?


Rita Santos - Na cidade de Salvador a estimativa é que exista entre 3 mil a 4 mil baianas de acarajé. Não é um dado concreto, porque nunca foi feito um levantamento correto.


Alimento & Ação - E como ficou a situação das baianas de acarajé com essa pandemia?


Rita Santos - A Prefeitura de Salvador só atendeu a 630 baianas com o auxílio de R$ 270, por três meses, prorrogável por mais um mês. Então, esse mês de julho será o último. O restante das baianas ficou de fora. Já vinha difícil, saímos de um Carnaval muito ruim. Todas as baianas que trabalharam no Carnaval tiveram prejuízo. Viemos de um prejuízo e entramos na pandemia.


Alimento & Ação - E como está a situação das baianas de acarajé diante dessa pandemia?


Rita Santos - Desde o dia 20 de Março que as baianas não estão trabalhando. Não porque a prefeitura tenha impedido, mas porque, na sua maioria, elas são do grupo de risco. Com o fechamento das praias piorou a situação porque temos em torno de 600 a 700 baianas que trabalham na orla. Essas não foram atendidas com o auxílio do governo municipal, porque não possuem licença ou protocolo. Para piorar, 80% delas não tem uma segunda renda, o sustento da família vem do tabuleiro.


Alimento & Ação - Como a ABAM está fazendo para garantir que essas baianas tenham algum sustento, enquanto esperam a retomada do trabalho?


Rita Santos - Para que elas tenham seu sustento, comecei a pedir ajuda para a distribuição de cestas básicas. Até agora distribuímos cerca de 1.300 cestas, não só em Salvador. Atendemos de 130 a 150 baianas de Lauro de Freitas, que estão passando pelo mesmo problema. Lá a prefeitura não deu ajuda nenhuma, nem cesta básica. A mesma coisa aconteceu em Camaçari, onde atendemos com 100 cestas básicas; e Feira de Santana, levando cestas básicas a 60 baianas, e 12 baianas em Porto Seguro, assim como Itaparica já que também não houve apoio do governo municipal.


Alimento & Ação - Quais as suas expectativas para o pós-pandemia?


Rita Santos - A situação está muito difícil e eu acho que o pós-pandemia vai ser mais difícil ainda, porque, mesmo que elas voltem para as ruas, elas não vão ter para quem vender. As pessoas não vão ter a garantia do que estão comprando e mesmo para elas vai ser muito complicado, porque elas são do grupo de risco.


Alimento & Ação - O que a Associação Nacional das Baianas de Acarajé está fazendo para tentar melhorar as perspectivas para a volta das baianas às ruas?


Rita Santos - Estamos fazendo um trabalho em conjunto com a Secretaria Municipal de Ordem Pública e com a Vigilância Sanitária, aqui em Salvador, para criar um protocolo de volta às ruas. Elas só vão retornar depois que esse protocolo estiver pronto e for passado para elas, para elas se prepararem para o retorno ao trabalho. A princípio, a praia não será aberta, retornando então as baianas de bairro, inclusive algumas já estavam trabalhando com sistema drive-thru, que foi o liberado pela Prefeitura de Salvador, e também com delívery. Nessa modalidade, nem 5% conseguiram atender, porque, na sua maioria, não possuem estrutura em casa, nem CNPJ.


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© 2020 por Mario Teixeira