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  • Mario Teixeira

Pandemia acelera o ritmo da crise alimentar na America Latina

Relatório conjunto da FAO e da Cepal aponta que população em extrema pobreza na América Latina e no Caribe pode chegar a 84,3 milhões de pessoas ainda este ano

O relatório do Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no MUndo (Sofi), publicado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), no último dia 13 de Julho, mas com base em dados de 2019, já apontava que a América Latina, em especial a América do Sul, não alcançaria o objetivo da Organização das Nações Unidas (ONU) de erradicação da fome até 2030. Com a pandemia, os números de pessoas que rumavam para a extrema pobreza aumentaram exponencialmente e, há uma expectativa, de que cheguem a 84,3 milhões de pessoas até o final de 2020.


Segundo um novo relatório da FAO e da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), após sete anos de crescimento lento, a América Latina e o Caribe poderão ver a maior queda no PIB regional em um século (-5,3%), o que trará em 2020 um aumento da pobreza extrema de 16 milhões pessoas em relação ao ano anterior, o que representariam 83,4 milhões no total. O impacto na fome também será muito significativo, considerando que em 2016-2018 já havia 53,7 milhões de pessoas em grave insegurança alimentar na América Latina.


Os efeitos da crise já são visíveis nos sistemas alimentares: a vulnerabilidade dos trabalhadores aumentou e os preços domésticos dos alimentos estão subindo mais do que o preço de outros produtos da cesta básica, de acordo com o IPC. Devido ao aumento do desemprego e à queda da renda, milhões de pessoas não conseguem comprar comida suficiente, e muitas outras estão tendo que optar por alimentos mais baratos e de menor qualidade.


Conjunto de Medidas


As agências propõem o auxílio como parte de um conjunto de medidas para que todas as famílias tenham acesso a alimentos suficientes e nutritivos, para que as empresas e os trabalhadores do sistema alimentício possam realizar suas tarefas e os países tenham comida suficiente para garantir o fornecimento a preços razoáveis.


As outras medidas são:

  • Fortalecer os programas de alimentação escolar para garantir a alimentação de crianças e adolescentes.

  • Apoiar as iniciativas de assistência alimentar de organizações da sociedade civil.

  • Apoio financeiro (crédito e subsídios produtivos) para empresas agrícolas, principalmente voltadas à agricultura familiar.

  • Ajustar protocolos de saúde e segurança na produção e transporte de alimentos nos mercados atacadista e varejista.

  • Expandir e garantir a operação de programas de apoio à produção de autoconsumo.

  • Garantir financiamento, assistência técnica e acesso a insumos e mão-de-obra para agricultores e pescadores artesanais.

  • Estabelecer mecanismos ágeis para consulta e coordenação público-privada entre todos os atores do sistema alimentar.

  • Impedir que os mercados atacadista e varejista e os agronegócios fechem ou reduzam suas operações.

  • Continuar com as políticas que mantiveram aberto o comércio mundial de alimentos, evitando medidas protecionistas que aumentem o preço dos alimentos.

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© 2020 por Mario Teixeira