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  • Mario Teixeira

Crise faz o tradicional Angu do Gomes fechar o restaurante de Botafogo, RJ

Empresa, que funciona desde 1955, não resistiu à pandemia e atualmente continua aberto no Centro do Rio, leiloando bens das outras lojas para pagar funcionários



Tradicional na gastronomia carioca e sucesso nas ruas da capital fluminense por várias décadas, o Angu do Gomes não resistiu à pandemia. Seu restaurante em Botafogo, na Zona Sul, aberto em 2018, fechou as portas e os proprietários estão leiloando todos os móveis e equipamentos para pagar os funcionários e fechar definitivamente a loja. Atualmente apenas a sede continua funcionando, no Centro do Rio, que oferece o prato de angu com molho, símbolo da gastronomia de rua do Rio de Janeiro.


A empresa, que está leiloando bancadas refrigeradas, balcões de inox, aparelhos de ar condicionado, câmara fria completa e mesas e cadeiras, entre outros objetos, fez um comunicado sobre o momento por que passa o segmento de Gastronomia.


Fundado em 1955, o Angu do Gomes faz parte da memória afetiva do carioca. Com uma trajetória que se funde com a própria história da cidade, o Angu do Gomes nasceu como um projeto que tinha como objetivo levar uma comida essencialmente brasileira e democrática para todos os cantos da cidade: oitenta carrocinhas ambulantes vendiam angu com miúdos de boi a preços acessíveis, por diversos bairros do Rio de Janeiro. Depois de anos conquistando admiradores por toda a capital fluminense, fincaram raiz em seu primeiro endereço físico, em um casarão colonial no Largo de São Francisco da Prainha, em 1977. Depois de longos anos atendendo a clientela de todo o Rio de Janeiro, com muita história na bagagem, e depois de ter conquistado o coração do carioca, a primeira casa da marca fechou, em 1995. Mas não foi por muito tempo. 


Em 2006, Rigo Duarte, que cresceu vendo o avô Basílio Augusto Moreira – único fundador ainda vivo do Angu do Gomes – se dedicar ao negócio e se doar ao seu sucesso, decidiu resgatar suas raízes. A determinação em levar adiante o projeto do Angu do Gomes fez com que o jovem abandonasse os estudos em Educação Física para cursar gastronomia e assumir, de vez, a empresa familiar – ao lado do amigo e sócio Marcello Klang. O segundo restaurante do Centro, também no Largo do São Francisco da Prainha, na Rua Sacadura Cabral 75, é fruto deste projeto de valorização e renovação da marca Angu do Gomes, que segue resistindo, recebendo o público que busca a experiência afetiva do cardápio da casa. 


O Angu do Gomes de Botafogo, aberto em um casarão amplo de dois andares, todo reformado, no movimentado bairro da Zona Sul carioca, manteve as portas abertas por dois anos, na tentativa de expandir o alcance da marca para um novo público – e uma nova geração de moradores e frequentadores da cidade – mas não conseguiu sobreviver à instabilidade econômica do país.

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© 2020 por Mario Teixeira