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  • Mario Teixeira

Cidades Criativas da Gastronomia são projeto para objetivos da Agenda 2030

Programa da UNESCO, com mais de 240 cidades do mundo, é dividido em sete áreas, de artesanato e design até mídia, mas as grandes estrelas são as focadas na Gastronomia



A Rede de Cidades Criativas da UNESCO foi criada em 2004 para promover a cooperação entre cidades que identificam a criatividade como um fator estratégico para o desenvolvimento urbano sustentável. As 246 cidades que atualmente fazem parte da rede trabalham juntas para um objetivo comum: colocar a criatividade e as indústrias culturais no centro de seu plano de desenvolvimento local e cooperar ativamente em nível internacional neste sentido. No Brasil, 10 municípios integram a Rede de Cidades Criativas da UNESCO: Belém (PA), Florianópolis (SC), Paraty (RJ) e Belo Horizonte (MG), no campo da gastronomia; Brasília (DF), Curitiba (PR) e Fortaleza (CE), no do design; João Pessoa (PB), em artesanato e artes folclóricas; Salvador (BA), na música; e Santos (SP), no cinema.


Para se tornar um membro da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, as cidades candidatas devem enviar uma inscrição que demonstre claramente sua determinação, compromisso e capacidade de contribuir para os objetivos da rede, que abrange sete campos criativos: artesanato e artes populares, artes digitais, cinema, design, gastronomia, literatura e música.


Ao aderir à rede, as cidades se comprometem a compartilhar suas boas práticas e desenvolver vínculos que associem os setores público e privado e a sociedade civil a

fortalecer a criação, produção, distribuição e difusão de atividades, bens e serviços culturais; desenvolver polos de criatividade e inovação e aumentar as oportunidades disponíveis para criadores e profissionais do setor cultural; melhorar o acesso e a participação na vida cultural, em particular para o benefício de grupos menos favorecidos e pessoas vulneráveis; e integrar totalmente a cultura e a criatividade em seus planos de desenvolvimento sustentável.


As Cidades Criativas da UNESCO são os principais parceiros da organização na implementação da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) para o desenvolvimento urbano sustentável.


Covid-19 e as Cidades Criativas


A pandemia está afetando pessoas em todo o mundo, e o setor cultural está paralisado de várias maneiras - eventos culturais, cinema, teatro e apresentações musicais foram cancelados, o turismo internacional praticamente cessou, restaurantes e mercados foram fechados, entre outros. Isso impactou não apenas os setores envolvidos, mas também o público, que tende a recorrer a produtos e serviços culturais para educação, entretenimento, lazer, desenvolvimento pessoal ou engajamento social. Embora isso tenha um sério impacto sobre a viabilidade econômica do setor cultural, a criatividade fundamental do setor e a capacidade de inspirar a conexão social permanecem intactas.


As informações enviadas por mais de 90 cidades criativas de 44 Estados-Membros da UNESCO mostram como as cidades se uniram para fomentar novas ideias e projetos, conectando as pessoas à cultura e à criatividade durante a pandemia. Em primeiro lugar, os setores culturais e criativos estão online. Como muitos outros aspectos da vida, quando várias medidas de bloqueio foram postas em prática, a internet se tornou uma das principais formas de as pessoas se comunicarem e terem acesso à cultura. Cidades globais ajudaram o setor a se mover online.


Em Buenos Aires (Argentina), a plataforma “Cultura en Casa” movimentou online todas as ofertas culturais, com o objetivo de atingir uma ampla parcela da população e também tornar o acesso à cultura mais inclusivo. Museus virtuais foram abertos em todo o mundo, por exemplo, em Bergamo (Itália), Beirute (Líbano) e Gabrovo (Bulgária). As bibliotecas também se tornaram online, como foi o caso em Bogotá (Colômbia) e Seattle (Estados Unidos), o que incentivou o compartilhamento online de poesia. No setor da música, Bolonha (Itália), Kazan (Rússia), Cidade do México (México) são alguns exemplos entre as inúmeras cidades que organizaram concertos online ou criaram plataformas de música online. Movendo-se online, ou de outras formas inovadoras, o acesso à cultura e a participação cultural foram asseguradas. Com isso, os setores culturais e criativos têm trabalhado para continuar seu papel social. As cidades conceberam novas formas de acesso às atividades culturais, com o objetivo de facilitar e enriquecer a vida confinada.


No centro disso estão os esforços para garantir a continuidade dos papéis da cultura na vida social e econômica: aproximar as pessoas e proporcionar lazer e aprendizagem. Em Kaunas (Lituânia), Cidade Criativa do Design, espetáculos de música, teatro, circo e dança foram organizados nos pátios de blocos de apartamentos com o objetivo de fortalecer os laços sociais entre os habitantes, que muitas vezes viviam isolados. #Cinemadacasa (Film from Home) foi uma iniciativa em Roma (Itália), uma Cidade Criativa do Cinema, onde imagens de filmes clássicos foram projetadas em edifícios por toda a cidade, para animar a população e fortalecer as conexões sociais. Em Small Islands Development States (SIDS), como Nassau (Bahamas), bem como em Medellín (Colômbia) e Slemani (Iraque), diferentes iniciativas criativas foram, por fim, lançadas para elevar o ânimo de seus habitantes.


Belo Horizonte


A cidade de Belo Horizonte recebeu o título de Cidade Criativa em 2019. Um projeto da cidade, consolidado e que tem a participação de vários órgãos da Prefeitura, terceiro setor e iniciativa privada. Toda a construção do dossiê, compromissos firmados para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram estabelecidos conjuntamente - e esta união fez com que o título fosse uma apropriação de todos os setores envolvidos. 


Como responsável pela inscrição e o projeto elaborado, a Belotur coordena/intermedia as ações perante à UNESCO como ponto focal, orientando a execução das ações em prol do cumprimento dos objetivos da Rede; fazendo o alinhamento dos projetos e ações que estejam condizentes com o dossiê apresentado; e captando as informações dos demais órgãos do executivo municipal, terceiro setor e iniciativa privada para promover o intercâmbio com as outras cidades. 

A Belotur, porém, coordena e executa diretamente as ações de gastronomia relacionadas ao Turismo. Assim, foi elaborado desde 2019 um programa que visa tornar a cidade referência no Turismo Gastronômico: o Programa Municipal de Turismo Gastronômico. Este Programa está em fase de  atualização, após a designação da cidade e também em razão do cenário de pandemia, e suas ações serão compatibilizadas e parametrizadas. 

O Programa propõe posicionar e promover Belo Horizonte e região como Polo Turístico Gastronômico de relevância, através de ações de resgate da história e do pertencimento pela gastronomia mineira, de produtos e ingredientes, da oferta de roteiros e tours de experiência, que promova a cultura, que valorize os modos de fazer e saberes, que eleve a autoestima da comunidade, que crie novas oportunidades de negócios, empregos e renda com o envolvimento de toda a cadeia produtiva do município e circuitos limítrofes, que atue dentro das premissas da inovação e estimule o empreendedorismo e promova estudos e pesquisas para apoiar o segmento.


Para além da escolha dos meios de transporte e de hospedagem, a viagem tem por fundamento a conexão interna consigo, com aqueles em que se escolhe como companhia e com o destino que se visita.  Espera-se como impacto direto do Covid-19 viagens mais intimistas, com menor impacto aos recursos naturais e com mais valor, não econômico, mas viagens com mais significado. Espera-se que o consumo do turismo em larga escala seja revisitado e modificado de maneira ampla e definitiva e que as viagens sejam eminentemente formas de fortalecimento das relações humanas em detrimento de formas de consumo exacerbado ou de reprodução de status ou posição social. Assim:

a) leva vantagem o destino que possui conteúdo e ferramentas prontas e à disposição do cliente;

b) quando as pessoas voltarem a viajar, suas exigências com questões sanitárias, de saúde e segurança serão maximizadas;

c) o Turismo será cada vez mais uma relação humanizada em todas as etapas da viagem.

Assim, trabalhar ações estratégicas entendendo o novo perfil de consumo será de extrema importância. As viagens locais ganharão espaço e será uma oportunidade a destinos como Belo Horizonte se sobressair regionalmente. A gastronomia aliada a outras experiências e serviços cidade podem ser um diferencial.


Belém do Pará


O título veio ratificar o sentimento de pertencimento e o fortalecimento do orgulho dos produtos regionais, pela população, colocando Belém na rota mundial do gastroturismo. É a validação da cultura, da qualidade dos chefs, das comidas de mercado, oferecidas pelas boieiras, feirantes e o trabalho sustentável desenvolvido nas ilhas junto ao cacau e ao açaí e aos APLs – Arranjos Produtivos Locais. 


Belém acaba de ter seu Selo de Cidade Criativa da UNESCO renovado por mais quatro anos. Resultado de um trabalho sério que foi desenvolvido, atendendo aos objetivos da agenda 2030 da UNESCO, tirando nota máxima.  Em virtude da pandemia, o cronograma de eventos desse ano, sofreu alterações Em janeiro foi realizado o Mercado Criativo do Ver o Peso, elegendo as boieiras Beth e Tieta como campeãs de pratos criativos pelo voto popular e pelo júri técnico, formado pelos renomados chefs: Daniela Martins, Ofir Oliveira e Felipe Gemaque.  Foi realizado também o projeto Gastronomia Criativa em Casa, contando com a participação de chefs como Ângela Sicília, Daniela Martins, Rubão, Ricardo Costa, e a professora de gastronomia da Universidade da Amazônia (UNAMA), Gisele Arouck; professor Breno Pinto, da Escola Criativa de Gastronomia da Prefeitura Municipal de Belém, as boieiras campeãs Beth e Tieta e a merendeira premiada Joselene da Silva, levando receitas regionais, práticas e saborosas para a casa das pessoas. O projeto alcançou 38 mil visualizações. 


Entre os projetos propostos pelo projeto de Belém está a Escola Criativa de Gastronomia, que tem como meta a formação acadêmica e profissional de mão de obra qualificada para o mercado de trabalho, no setor da gastronomia e do turismo. A expectativa para 2020 é de trocar experiências com as cidades criativas brasileiras, através de palestras e oficinas, cursos rápidos profissionalizantes ministrados pelos profissionais que já atuam no segmento e parcerias com instituições como ABRASEL, IMP, e hotéis, para a absorção da mão de obra.

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© 2020 por Mario Teixeira